A atualidade e minha opinião sem preocupações em ser "politicamente correto",esta prática que transforma a verdade em um teatro ensaiado ao gosto vigente. Permitida a reprodução dos textos desde que com indicação de autoria e link para este Blog.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Reação não é excludente de ilicitude - nem de crueldade.

Fabricio Rebelo*

Não é difícil para o cidadão comum que acompanha os noticiários acreditar que quase todas as vítimas de latrocínio reagiram à investida dos criminosos e, por isso, acabaram morrendo. Esse é o discurso repetido à exaustão por grande parte da mídia, por autoridades e, sobretudo, pelas ricas ONGs "da paz" e dos direitos humanos – que parecem ser privativos dos criminosos. Pouco importa o descompasso da narrativa com a realidade, muito menos o que de fato poderia ser chamado de reação, o fundamental parece ser alimentar o discurso ideológico do "não reaja".
 
Contudo, apesar de todo esforço voltado à sua difusão, a tese da reação necessariamente vinculada à morte da vítima não se sustenta se confrontada com os fatos. São crescentes os casos de execução sumária de quem é roubado, sem o mínimo esboço reativo, bem assim, em lado oposto, os de efetivas reações bem-sucedidas, especialmente a partir do emblemático episódio da idosa de Caxias do Sul (RS), que em 2012 atirou em um agressor que invadiu sua residência.
 
A questão, demasiadamente simplificada na grande maioria das abordagens, merece uma análise crítica. É fundamental, antes de qualquer outra coisa, se identificar o que vem sendo chamado de "reação" quando uma vítima é morta por um criminoso e, mais importante, ter critérios minimamente técnicos ao noticiar os casos de latrocínio, buscando evitar a indisfarçável tendência à complacente adoção de uma invertida teoria de que "toda reação leva a uma ação", que resulta na morte de quem reage.
 
Os noticiários estão recheados de matérias sobre vítimas fatais que teriam reagido, mas basta um aprofundamento, por mínimo que seja, para logo se constatar que a rotulada "reação", na esmagadora maioria dos casos, em absolutamente nada se relaciona a uma atitude da vítima contra seu agressor, muitas vezes sequer passando de um espasmo involuntário. Hoje, o que se vê é o rótulo de "reação" para toda e qualquer conduta que a vítima tiver, mesmo que esta seja de natureza completamente pacífica. Abaixar-se, levar as mãos ao rosto, sobressaltar-se, chorar, ou até piscar os olhos, tudo que a vítima faz acaba rotulado como "reação", não havendo um padrão comportamental que possa ser tomado como "adequado", muito menos capaz de despertar a clemência do algoz.
 
Esse tipo de abordagem – inexplicavelmente crescente – traz em si uma série de efeitos negativos à compreensão da segurança pública. Primeiro, ele transfere para a vítima a responsabilidade por ter sido morta, como se uma vítima de latrocínio fosse uma suicida, pois qualquer conduta que tenha pode ser vista como reação e, pior, ser usada para justificar a ação de um criminoso cruel, impiedoso. Segundo, por este enviesado raciocínio, bastaria não reagir para ser privado de seus bens em segurança, o que é uma enorme falácia, gerando uma falsa sensação de segurança. É que dizem só morrer quem reage...
 
O crescimento exponencial de pessoas mortas por criminosos, porém, não decorre de um aumento de reações, longe disso. O que se tem é um aumento generalizado da violência criminal, com bandidos numa crescente de crueldade contra uma sociedade cada vez mais acuada, adotando a postura do atirar primeiro e roubar depois. Atualmente, os registros em vídeo, através de circuitos privados de monitoramento, dão bem a dimensão da forma de agir dos criminosos, que estão puxando o gatilho motivados apenas por sua exclusiva vontade, em muitas ocorrências com as vítimas completamente rendidas. Mas antes mesmo de qualquer esclarecimento do caso, a elas já é imputada a famigerada reação.
 
No caso mais recente desta verdadeira distorção, um estudante foi morto em Salvador, capital baiana, durante um assalto nas imediações da residência universitária em que morava. Assim que a notícia chegou aos portais informativos, lá estava a observação de que, "segundo as primeiras informações, a vítima reagiu ao assalto". Ninguém sequer confrontou a alegação com o fato objetivo de que o tiro na vítima foi disparado em sua nuca, ou seja, com ela de costas para o bandido, já após ter sido retirada do carro que era o objeto do roubo. Uma típica execução.
 
Ao serem presos, dias depois, os criminosos nem pestanejaram ao repetir a tese de reação da vítima, chegando a aludir a uma "luta corporal". Mas bastou a divulgação das imagens de um circuito fechado de TV para a tese se mostrar descabida, sendo logo substituída pela de que o bandido se assustou e acabou disparando. Mais uma vez, a "reação" que estampava a primeira notícia era falsa.
 
Reações, as efetivas, são muito mais raras do que se noticia e não costumam ter o desfecho retratado nas coberturas de ocorrência que estamos nos acostumando a ver. Reagir pressupõe uma ação da vítima contra o seu agressor, o que não se confunde, em absoluto, com atos defensivos instintivos ou puramente reflexivos. Além disso, o êxito da reação está vinculado à disponibilidade dos meios para ela necessários, e quando uma vítima que deles dispõe reage, o que se tem, em regra, é a eliminação do risco – e não raro do agressor. O citado caso da idosa de Caxias do Sul bem comprovou isso, como também o fazem os já incontáveis exemplos posteriores de criminosos alvejados ao praticarem ilícitos contra vítimas preparadas.
 
A questão mais grave, contudo, suplanta a conceituação equivocada das reações e sua indevida difusão. Ela reside em se buscar justificar a ação de criminosos por uma conduta da própria vítima, esquecendo quem está violando a lei, algo como se os bandidos estivessem em seu regular exercício profissional e fossem "atrapalhados" injustamente pela vítima, autorizando sua eliminação. O raciocínio, embora sendo subliminarmente incutido na sociedade, é absurdo, verdadeiramente surreal.
 
Em absolutamente toda ocorrência de latrocínio, seu início se dá por um ilícito praticado pelo criminoso, o que não é elidido por qualquer conduta que a vítima tenha. A reação da vítima não é prevista penalmente como excludente de ilicitude e um latrocida não deixa de praticar o crime quando atira movido por uma reação dela, real ou não. Proteger a própria vida é um instinto humano e o cidadão que o faz, este sim, está respaldado pela legislação penal, pela legítima defesa prevista no artigo 23, II, do Código Penal. Para o bandido que inicia a prática do crime, não existe a figura penal da "legítima defesa contra a legítima defesa".
 
É necessário parar de difundir a reação, especialmente a fictícia, como justificativa para a ação de bandidos, muitas vezes antes mesmo de que eles próprios o façam, como se isso atenuasse seus crimes. Juridicamente, a reação da vítima não exclui a configuração do crime contra ela cometido, mas é imperativo que, no campo moral, também não exclua a crueldade de quem mata. Assassinar quem reagiu não é socialmente mais aceitável, o ato continua sendo um deplorável crime contra a vida; e se é justo alguém morrer quando uma reação ocorre, esse alguém sempre será o criminoso.
 


Fonte:Direito e Segurança

* Fabricio Rebelo - Pesquisador em Segurança Pública e Diretor Nacional Executivo na organização não governamental Movimento Viva Brasil - função cumulada na mesma instituição com a Coordenação Regional Nordeste e da Divisão de apoio a Colecionadores, Atletas e Caçadores (CAC). Bacharel em Direito, autor de diversos artigos sobre temas jurídicos e segurança pública, fonte para reportagens e entrevistas em variadas mídias, participante de debates na Câmara dos Deputados sobre projetos de lei em tramitação. Atleta amador de Tiro Desportivo. Advogado (1998-2002) | Analista Judiciário (TJBA, 2002) | Assessor Jurídico Autárquico (IPRAJ, 2002-2004) | Procurador Autárquico (IPRAJ, 2004-2005) | Assessor de Desembargador (TJBA, 2005-2007) | Diretor Geral em Tribunal de Justiça (TJBA, 2007-2008) | Assessor de Desembargador (TJBA, 2008-2012) | Assessor Jurídico (TJBA, 2013-hoje).

segunda-feira, 31 de março de 2014

Mais um 31 de Março sob a ditadura Narcotráfico/Petismo

Mais um 31 de Março, aniversário da contra revolução que preocupada com os destinos do Brasil, teve a mão leve demais e não exterminou os vermes que hoje nos impõem uma Ditadura conjunta Narcotráfico/Petismo e reescrevem a História, posando de heróis, eles que não passaram de um bando de assaltantes de bancos e covardes terroristas que mataram indiscriminadamente civis e militares. Já não comento, reconhecendo a derrota e a impossível reviravolta devido ao crescimento da manada estúpida alimentada pelos vales nos currais eleitorais, a absurda urna eletrônica -máquina de fraudes- e a lenta agonia das Forças Armadas, ajoelhadas e humilhadas. Nada a fazer, apenas aguardar na trincheira o assalto final num país com a infraestrutura sucateada e abandonado à sua sorte.
 
Nada de novo no front, releiam os textos anteriores sobre a data:

REVOLUÇÃO DE 1964 - NÃO MAIS QUE UM LACÔNICO ELUCIDAR

31 DE MARÇO - ORDEM DO DIA

31 DE MARÇO: NADA A COMEMORAR






domingo, 30 de março de 2014

Patrulhas do assédio: a desmontagem do sexo masculino

A última patetice politicamente correta lembra os tempos ridículos do congelamento de preços do Sarney, onde "fiscais do povo", qual membros da Guarda Vermelha de Mao, prendiam comerciantes que atualizavam os preços e fechavam seus estabelecimentos sob os uivos da plebe satisfeita com o circo. Agora, na onda da caça aos "assédios", um indivíduo julgando-se um super herói, teve um chilique ao ver que um passageiro filmava as "partes íntimas" de uma comissária de voo e determinou sua prisão...  Como se filma as partes íntimas da aeromoça? Elas estavam à mostra? A filmadora tem raios-X? Suponho que partes íntimas ficam devidamente protegidas ou não seriam íntimas... Puro exagero que causou a interrupção do voo, todo mundo na delegacia, policiais com o saquinho cheio de problemas graves tendo que perder tempo para resolver essa besteira que dá repercussão, prejuízo estimado de R$100.000,00 para a companhia aérea.
 
E todo mundo se sentiu na obrigação de balançar a cabeça afirmativamente e reprovar a atitude do passageiro que numa brincadeira normal, filmou a comissária e foi transformado em monstro sexual, par a par com estupradores e pedófilos, na onda de caça ao assédio sexual e abusos no metrô, amplamente divulgados pela imprensa.
 
Os mais racionais embora abismados pelas contradições e exageros ficam calados temendo ser execrados pela opinião pública, mergulhados nesta perigosa reedição da Revolução Cultural maoista, uma palhaçada que ofende nossa inteligência num país de governo claramente homossexual e amoral, que ataca nossas crianças nas escolas sob o pretexto de ensinar a tolerância de opções sexuais, que pretende acabar com termos como pai e mãe nos documentos oficiais visando destruir a família para melhor dominar, que permite a pornografia explícita em qualquer horário na TV, com suas novelas onde casais de sexo oposto estão em extinção, em programas onde o talento está nos glúteos anormais em mulheres que lembram búfalos atarracados, em letras de músicas que são verdadeiros atentados ao pudor, que continua a vender a imagem da mulher brasileira no exterior com veladas promessas de sexo fácil.

Os instintos dos humanos não diferem dos outros animais, visam a reprodução e não podem ser totalmente tolhidos, a atração homem-mulher é natural e não é cerceável por leis, regras ou patrulhas histéricas. Não me refiro aos tarados -e taradas- que se enfiam em transportes superlotados apenas com o fito de se esfregarem, mas ao homem -ou mulher- que numa eventual aproximação física forçada, tem uma reação de cunho sexual natural. Hoje, pobre do cidadão normal que ao sentir um quente corpo feminino encostado ao seu tenha uma involuntária ereção: será linchado moralmente ou literalmente. A solução para não correr esse perigo é começar a usar um colete de metal protegendo as partes baixas ao entrar em coletivos... Oras senhores, tais "abusos" não acontecem entre pessoas normais nos países em que os governos não roubam, não são corruptos e investem em infraestrutura básica, não se trata de atacar e prender supostos abusadores e sim dar condições decentes de transporte e não enfiar à força machos e fêmeas em uma lata de sardinha, trocando suores e feromônios!

Outro assunto tabu que gera o imediato ataque das feministas e supostos machos politicamente corretos é sobre a vestimenta feminina. De que a culpa dos assédios é das próprias mulheres que se vestem de maneira inadequada, provocante. É preciso ser racional e não emocional, distinguir um corpo bonito dentro de uma calça justa, da moda, de uma mini saia com a calcinha à mostra! Oras, neste caso está havendo assédio feminino sobre os homens sim, provoca reações instintivas e quem assim se veste não pode irritar-se ou reclamar ao ouvir alguma gracinha ou assovio. Obviamente nada justifica um estupro ou um contato físico forçado, me refiro somente às reações naturais que hoje geram histéricas reprovações, acusações, boletins de ocorrência, destruindo reputações de homens absolutamente normais. Por que as mulheres podem dizer piadinhas -algumas até grosseiras- ao tal "gatão" da segurança do metrô paulista, pedir para tirar fotos abraçadas com ele e os homens não podem portar-se da mesma maneira em relação às mulheres atraentes? Se trata apenas de povos latinos querendo imitar qual macacos, o comportamento de povos mais adiantados socialmente e mais frios, mas de maneira totalmente falsa, forçada, e na balança homem-mulher, injusta com os homens. Vamos repensar mais essa patrulha ridícula e não confundam o natural com a aberração; querendo ou não, para a perpetuação da espécie ainda continua a ser necessário os dois produtos naturais e que se complementam e se atraem, o homem e a mulher, e deles, felizmente, ainda restam alguns espécimes. Parem com a caça indiscriminada!
 
 
 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Zoo dinamarquês mata leõezinhos para... protegê-los!

Família assassinada pelo Zoo dinamarquês - Reprodução Dailymail

COPENHAGUE - "O zoológico dinamarquês que causou uma comoção mundial ao matar e dissecar publicamente a girafa Marius anunciou que sacrificou quatro leões, dois adultos e seus dois filhotes. O Zoológico de Copenhague explicou que a família de leões foi morta na segunda-feira para abrir caminho para um novo macho que ofereceria perigo aos filhotes." (Clique)
Tentarei entender: para salvar os leõezinhos do perigo, eles foram... mortos?!
"O novo leão chegará nos próximos dias a Copenhague e o zoológico diz ter tentado e falhado em encontrar uma nova casa para a família de leões que foi sacrificada, antes da chegada do novo hóspede"
Não seria mais racional não aceitar o novo hóspede? Não há explicações plausíveis, satisfatórias, aceitáveis para tal crime, para tal estupidez. Se querem prosseguir com um trabalho do qual dizem se orgulhar de procriação da espécie, que antes forneçam as condições ideais para tal. Os hotéis dinamarqueses costumam matar seus hóspedes para abrir novas vagas?
"Por causa do orgulho característico do comportamento e estrutura naturais dos leões, o zoológico teve que sacrificar os mais velhos e os mais jovens que não eram suficientemente capazes de se defender”, explica a nota divulgada pelo zoológico, que argumenta ainda que o novo leão mataria os filhotes de 10 meses de vida “assim que tivesse uma chance”.
Na mesma linha, sugiro que os dirigentes do zoológico dinamarquês caso pretendam vir ao Brasil para a Copa do Mundo, por segurança cometam suicídio antes para evitar o perigo de latrocínio por essas bandas sem lei...



segunda-feira, 24 de março de 2014

O homem é apenas um fenômeno, não a coisa-em-si: Schopenhauer, claro e direto, sobre uma ilusão chamada Vida

Os homens no decorrer de suas vidas costumam fugir de indagações que perturbam, refugiando-se nas mais diversas distrações e vícios -sempre fugazes como a própria vida- ou comodamente aconchegando-se covarde e irracionalmente no colo anestésico das religiões e de um suposto Deus. Uns poucos privilegiados em inteligência enfrentam a transitoriedade da existência retirando-se de cena e tornando-se observadores do Teatro Vida: os filósofos. Se muitos são difíceis de serem lidos e entendidos pelas nossas mentes normais, alguns são mais diretos em suas observações e conclusões mas são evitados por desconhecimento e preconceito, perdendo-se incríveis fontes de conhecimento que muito ajudariam àqueles que resolvem enfrentar as interrogações da existência humana. São pratos de que não nos servimos se não nos oferecerem. Saboreie os trechos claros e diretos de Schopenhauer abaixo e volte ao arroz e feijão das ilusões se conseguir... (os negritos são meus)
(...)Toda a nossa existência é fundamentada tão-somente no presente — no fugaz presente. Deste modo, tem de tomar a forma de um constante movimento, sem que jamais haja qualquer possibilidade de se encontrar o descanso pelo qual estamos sempre lutando. É o mesmo que um homem correndo ladeira abaixo: cairia se tentasse parar, e apenas continuando a correr consegue manter-se sobre suas pernas; como um polo equilibrado na ponta do dedo, ou como um planeta, o qual cairia no sol se cessasse com seu percurso. Nossa existência é marcada pelo desassossego.
Num mundo como este, onde nada é estável e nada perdura, mas é arremessado em um incansável turbilhão de mudanças, onde tudo se apressa, voa, e mantém-se em equilíbrio avançando e movendo-se continuamente, como um acrobata em uma corda — em tal mundo, a felicidade é inconcebível. Como poderia haver onde, como Platão diz, tornar-se continuamente e nunca ser é a única forma de existência? Primeiramente, nenhum homem é feliz; luta sua vida toda em busca de uma felicidade imaginária, a qual raramente alcança, e, quando alcança, é apenas para sua desilusão; e, via de regra, no fim, é um náufrago, chegando ao porto com mastros e velas faltando. Então dá no mesmo se foi feliz ou infeliz, pois sua vida nunca foi mais que um presente sempre passageiro, que agora já acabou.
(...)As cenas de nossa vida são como imagens em um mosaico tosco; vistas de perto, não produzem efeitos — devem ser vistas à distância para ser possível discernir sua beleza. Assim, conquistar algo que desejamos significa descobrir quão vazio e inútil este algo é; estamos sempre vivendo na expectativa de coisas melhores, enquanto, ao mesmo tempo, comumente nos arrependemos e desejamos aquilo que pertence ao passado. Aceitamos o presente como algo que é apenas temporário e o consideramos como um meio para atingir nosso objetivo. Deste modo, se olharem para trás no fim de suas vidas, a maior parte das pessoas perceberá que viveram-nas ad interim [provisoriamente]: ficarão surpresas ao descobrir que aquilo que deixaram passar despercebido e sem proveito era precisamente sua vida — isto é, a vida na expectativa da qual passaram todo o seu tempo. Então se pode dizer que o homem, via de regra, é enganado pela esperança até dançar nos braços da morte!
Novamente, há a insaciabilidade de cada vontade individual; toda vez que é satisfeita um novo desejo é engendrado, e não há fim para seus desejos eternamente insaciáveis.
(...)A vida apresenta-se principalmente como uma tarefa, isto é, de subsistir de gagner sa vie [para ganhar a vida]. Se for cumprida, a vida torna-se um fardo, e então vem a segunda tarefa de fazer algo com aquilo que foi conquistado — a fim de espantar o tédio, que, como uma ave de rapina, paira sobre nós, pronto para atacar sempre que vê a vida livre da necessidade.
A primeira tarefa é conquistar algo; a segunda é banir o sentimento de que algo foi conquistado, do contrário torna-se um fardo.
Está suficientemente claro que a vida humana deve ser algum tipo de erro, com base no fato de que o homem é uma combinação de necessidades difíceis de satisfazer; ademais, se for satisfeito, tudo que obtém é um estado de ausência de dor, no qual nada resta senão seu abandono ao tédio. Essa é uma prova precisa de que a existência em si mesma não tem valor, visto que o tédio é meramente o sentimento do vazio da existência. Se, por exemplo, a vida — o desejo pelo qual se constitui nosso ser — possuísse qualquer valor real e positivo, o tédio não existiria: a própria existência em si nos satisfaria, e não desejaríamos nada. Mas nossa existência não é uma coisa agradável a não ser que estejamos em busca de algo; então a distância e os obstáculos a serem superados representam nossa meta como algo que nos satisfará — uma ilusão que desvanece assim que o objetivo é atingido; ou quando estamos engajados em algo que é de natureza puramente intelectual — quando nos distanciamos do mundo a fim de podermos observá-lo pelo lado de fora, como espectadores de um teatro. Mesmo o prazer sensual em si não significa nada além de um esforço contínuo, o qual cessa tão logo quanto seu objetivo é alcançado. Sempre que não estivermos ocupados em algum desses modos, mas jogados na existência em si, nos confrontamos com seu vazio e futilidade; e isso é o que denominamos tédio. O inato e inextirpável anseio pelo que é incomum demonstra quão gratos somos pela interrupção do tedioso curso natural das coisas. Mesmo a pompa e o esplendor dos ricos em seus castelos imponentes, no fundo, não passam de uma tentativa fútil de escapar da essência existencial, a miséria.
(...)O homem é apenas um fenômeno, não a coisa-em-si — digo: o homem não é [grego: ontos on]; isso se comprova pelo fato de que a morte é uma necessidade.
E quão diferente o começo de nossas vidas é do seu fim! O primeiro é feito de ilusões de esperança e divertimento sensual, enquanto o último é perseguido pela decadência corporal e odor de morte. O caminho que divide ambas, no que concerne nosso bem-estar e deleite da vida, é a bancarrota; os sonhos da infância, os prazeres da juventude, os problemas da meia-idade, a enfermidade e miséria frequente da velhice, as agonias de nossa última enfermidade e, finalmente, a luta com a morte — tudo isso não faz parecer que a existência é um erro cujas consequências estão se tornando gradualmente mais e mais óbvias?
(...)Quanta tolice há no homem que se arrepende e lamenta por não ter aproveitado oportunidades passadas, as quais poderiam ter-lhe assegurado esta ou aquela felicidade ou prazer! O que resta desses agora? Apenas o fantasma de uma lembrança! E é o mesmo com tudo aquilo que faz parte de nossa sorte. De modo que a forma do tempo, em si, e tudo quanto é baseado nisso, é um modo claro de provar a nós a vacuidade de todos deleites terrenos.
(...)A ideia de que não somos nada senão um fenômeno, em oposição à coisa-em-si, é confirmada, exemplificada e clarificada pelo fato de que a conditio sine qua non de nossa existência é um contínuo fluxo de descarto e aquisição de matéria que, como nutrição, é uma constante necessidade. De modo que nos assemelhamos a fenômenos como fumaça, fogo ou um jato de água, todos os quais desvanecem ou cessam diretamente se não houver suprimento de matéria. Pode ser dito, então, que a vontade de viver apresenta-se na forma de um fenômeno puro que termina em nada. Esse nada, entretanto, juntamente com o fenômeno, permanece dentro do limite da vontade de viver e são baseados nesse. Admito que isso é um pouco obscuro.
Se tentarmos obter uma perspectiva geral da humanidade num relance, constataremos que em todo lugar há uma constante e grandiosa luta pela vida e existência; que as forças mentais e físicas são exploradas ao limite; que há ameaças, perigos e aflições de todo gênero.
Considerando o preço pago por isto tudo — existência e a própria vida —, veremos que houve um intervalo quando a existência era livre de sofrimento, um intervalo que, entretanto, foi imediatamente sucedido pelo tédio, o qual, por sua vez, foi rapidamente sucedido por novos anseios.
O tédio ser imediatamente sucedido por novos anseios é um fato também verdadeiro à mais sábia ordem de animais, pois a vida não tem valor verdadeiro e genuíno em si mesma, mas é mantida em movimento por meio de meras necessidades e ilusões. Tão logo quanto não houver necessidades e ilusões tornamo-nos conscientes da absoluta futilidade e vacuidade da existência.(...)
 
(The Emptiness of Existence, de Arthur Schopenhauer, trechos recortados da tradução de André Cancian )
 

 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Você levaria sua família ao Iraque ou Afeganistão para assistir uma Copa do Mundo?

Então por que diabos aceita e assiste calado a cilada armada para famílias estrangeiras que inocentemente se preparam para vir ao Brasil assistir futebol num suposto país amigável e pacífico?!
 
Mortes no conflito do Afeganistão em 2013 de acordo com a ONU (clique): 2.730 (dois mil,setecentos e trinta)
 
Mortes no conflito do Iraque em 2013 de acordo com a ONU (clique): 7.818 (sete mil,oitocentos e dezoito). Foi o maior número de mortos nos últimos cinco anos, preocupando o representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Iraque, Nicholay Mladenov:
 
Este é um recorde triste e terrível que confirma mais uma vez a necessidade urgente de as autoridades iraquianas lidarem com as raízes da violência para frear este ciclo infernal” ...“O nível de violência indiscriminada no Iraque é inaceitável e peço aos líderes iraquianos que tomem as medidas necessárias para prevenir que grupos terroristas alimentem tensões sectárias, o que contribui para enfraquecer o tecido social da sociedade”
 
Mortes no Brasil (somente homicídios) em 2012 (ainda não terminaram de somar as de 2013...): 50.108 (CINQUENTA MIL,CENTO E OITO).
 
"O total de assassinatos é o maior da série histórica desde 2008. Houve 50.108 casos no Brasil em 2012, incluindo homicídios dolosos (47.136), assaltos seguidos de morte (1.810) e lesão corporal seguida de morte (1.162)." (clique)
 
A ONU considerou as sete mil mortes no Iraque de "ciclo infernal", "inaceitável"... No Brasil dos cinquenta mil trucidados anuais, tais números seriam comemorados e serviriam de plataforma política, um verdadeiro paraíso!
 
Portanto enfiem nessas cabecinhas de que estamos em guerra civil; de que somos os alvos a serem exterminados; de que tantos os marginais ostensivos como os marginais fantasiados de governo são os inimigos a serem combatidos. Resista, não se deixe desarmar, não se deixe levar pelo circo governamental que "fez o diabo" para trazer a Copa do Mundo para cá para melhor roubar, desviar dinheiro público e não seja cúmplice de mais mortes. Alertem o mundo em vez de convidar! Não seja mais um pateta eufórico!
 
 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Lista nominal dos senadores comparsas da Violência


A Comissão de Constituição e Justiça do Senado rejeitou a Proposta de Emenda Constitucional que visava diminuir a maioridade penal de 18 para 16 anos considerando que ela VIOLA OS DIREITOS das criancinhas e adolescentes assassinos, estupradores, ladrões, canalhas e drogados. Para os senhores cidadãos espoliados, violentados, viúvos, órfãos, paraplégicos, para os que perderam seus filhos, vítimas dos monstros protegidos por lei, abaixo publico a lista de seus comparsas, os senadores que votaram contra a redução da maioridade penal:

Angela Portela (PT-RR)
Aníbal Diniz (PT-AC)
Antônio Carlos Valadares (PSB-PE)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Gleisi Hofmann (PT-PR)
Inácio Arruda (PCdoB-CE)
José Pimentel (PT-CE)
Lúcia Vânia (PSDB-GO)
Randolfe Rodrigues (Psol-AP)
Roberto Requião (PMDB-PR)
 
GUARDEM BEM ESSES NOMES!
 
 
 

Diálogo com a vida - Shakespeare

 
 
Lendo "Medida por medida" (Edições Melhoramentos, 1958, tradução de Carlos Alberto Nunes) ato III, cena I, encontrei um magistral diálogo com a vida que aqui transcrevo para meditação dos leitores. Cenário: um quarto na prisão. (os negritos são meus)
CLÁUDIO — Aos infelizes resta um só remédio: a esperança. Espero ainda viver, mas estou pronto para a morte.
DUQUE — Contas certo com a morte; desse modo, tanto ela como a vida se tornarão mais doces. Dialogai com a vida deste modo: Em te perdendo, perderei o que os tolos, tão-somente, cuidam de preservar.
Só és um sopro submetido às influências mais variadas do tempo, que visitam a toda hora tua casa com aflições. És simplesmente um joguete da morte, pois só cuidas de evitá-la e não fazes outra coisa senão correr para ela.
Não és nobre, pois quanto de conforto podes dar-nos, se nutre de baixezas; nem valente podes chamar-te, ao menos, pois tens medo do dardo brando e frágil de um gusano mesquinho. Teu melhor repouso é o sono, que invocas tão frequente; no entretanto, mostras pavor insano de tua morte, que outra coisa não é.
Tu não és tu, pois vives em milhões de grãos nascidos da poeira. Feliz, também não és, pois só cuidas de obter o que te falta, olvidando o que tens.
Não és constante, porque tua compleição, segundo as fases da lua, está sujeita a variações. Se és rica, és pobre; porque tal como o asno vergado sob o peso de tanto ouro, só levas tua riqueza uma jornada, vindo a morte, depois, descarregar-te.
Amigos não possuis, porque tuas próprias entranhas, que por mãe te reconhecem, e até mesmo o que os rins verter costumam, o reumatismo, as úlceras e a gota te amaldiçoam por não darem cabo logo de ti. Não tens nem mocidade nem velhice, não sendo, por assim dizer, mais do que um sono após a sesta, que sonha com ambas, porque a tão ditosa juventude envelhece à força, apenas, de suplicar esmolas à impotente decrepitude.
Quando és velha e rica, careces de afeição, calor, beleza, que os bens te tornem gratos. Que merece, pois, o nome de vida nisso tudo? Mais de mil mortes essa vida oculta; no entanto temos tanto medo à morte, que é o que, no fim da conta, tudo iguala.
CLÁUDIO — De todo o coração vos agradeço. Desejando viver, agora o vejo, só procurava a morte, e, nesse empenho afinal, acho a vida. Pois que venha!